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Salinópois das mansões e praias paradisíacas está abandonada. Moradores e frequentadores do município reclamam da falta de compromisso da prefeitura local. Malha viária em condições precárias, esgotos a ceu aberto, crescimento urbano e demográfico desordenado e violência mudaram o cotidiano da Atlântica. O prefeiro municipal Vagner Curi (PT) - que em 2007 gastou mais do que arrecadou, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU) -, questionado por O LIBERAL, afirmou que não tinha tempo para comentar as acusações e o descaso evidente nas ruas de Salinas - uma das principais paradas na rota turística do Pará.
Quem se aproxima do município de carro garante que a estrada que circula o trevo está intrafegável. Buracos, lama e perigo assombram motoristas, que precisam desviar a cada curva antes de tomar o caminho da praia do Atalaia ou da cidade. 'O estado de abandono das estradas é visível. Não vou a Salinas, justamente, pelo acesso. Há 35 anos as estradas são as mesmas. Já se passaram quatro administrações e ninguém faz absolutamente nada', reclama o médico Eduardo Santos.
Dono de uma casa em Salinópolis, o médico conta que não vai ao município desde o dia 31 de dezembro de 2007, quando três assaltantes fizeram ele e família de reféns dentro de casa. 'Entraram na minha casa, que é gradeada e estava fechada. Eram três assaltantes armados. Um deles tinha uma faca e me machucou em uma das mãos. Levaram celulares e outros objetos pessoais, mas, graças à Deus, não fizeram mal a nenhum de nós'.
Eduardo Santos diz que não faz questão de voltar a Salinas, mesmo pagando em dia as contas da casa. 'Pago caseiro, IPTU, energia elétrica, mas não tenho vontade de ir. Prefiro ir a Fortaleza, por exemplo', compara. 'Salinas acabou. O esgotamento sanitário é um dos responsáveis pela degradação da beleza natural, que, junto aos problemas ambientais, fez da praia do Atalaia um lugar horrível. Sem falar na explosão demográfica, originada pela ganância das imobiliárias'.
Déficit
De acordo com dados fornecidos pela assessoria de imprensa do Tribunal de Contas do Município (TCM), Salinópolis empenhou, em 2007, R$ 44.516.683,61. Contudo, só arrecadou R$ 40.391.286,56, o que significa que a diferença de cerca de R$ 4 milhões equivale ao déficit do exercício de 2008. O TCM esclarece que o prazo de processamento da receita municipal é regimental e não se sabe para qual fim a prefeitura empregou os R$ 4 milhões.
Ainda segundo a assessoria de imprensa, os números referentes a 2008 são processados pelo TCM somente neste ano. O órgão adianta que a receita do município em 2008 foi de R$ 12.824.749,21 e que a despesa foi de R$ 12.827.445,14.
Desde a segunda-feira passada, 15, a reportagem tentou contato com a Prefeitura de Salinópolis, em busca de informações sobre a situação do município. No entanto, nem o assessor do prefeito Vagner Curi (PT), Maurício Júnior, tampouco o Chefe de Gabinete, Rafael Gomes, retornaram às solicitações de entrevistas com o titular da prefeitura.
Por telefone, Vagner Curi informou que não poderia conceder entrevistas por estar com a agenda cheia, já que, segundo ele, sua atuação como médico lhe toma parte do tempo. 'Não posso falar agora. Não dá para atender ligações o dia inteiro, até porque estou sempre em cirurgia', limitou-se.
Ainda insistindo na entrevista, a reportagem pediu o e-mail do prefeito para enviar perguntas. Entretanto, até o fechamento desta edição, não foi feito nenhum retorno.
Arrombamentos
Roubos de veículos - nos quaisl bandidos cortam a borracha do parabrisas - e assaltos nas praias de Salinópolis já não causam espanto nos veranistas. O analista de sistemas aposentado Sérgio Bastos, por exemplo, já teve a sua casa no Porto Grande arrombada 5 vezes.
Ele conta que quando comprou a casa, as ruas da cidade não eram todas asfaltadas. Porém, Sérgio sempre acreditou no potencial do lugar e, por isso, tornou-se frequentador assíduo, principalmente durante o mês de julho. Dessa vez não será diferente, ainda que a cidade esteja, para ele, abandonada. 'Esse descaso com Salinas não é de agora. Desde a administração passada, quando Di Gomes era o prefeito', critica.
Dos cinco arrombamentos na casa de Sérgio Bastos, quatro boletins de ocorrência foram registrados. Contudo, reclama o aposentado, nada aconteceu. 'Levaram louça, vários objetos e até motor de geladeira. Em todas as vezes que registrei ocorrência, não prenderam ninguém e muito menos tive nada recuperado'.
No final de semana passado, um casal de aposentados, que prefere ter a indentidade preservada, foi refém dentro da própria casa, localizada próximo ao cemitério da cidade. Passava das 20h30, quando dois homens, aparentando ter entre 19 e 22 anos, invadiram a sala onde o casal assistia, junto com a empregada, o Jornal Nacional. 'Eles entraram pelo portão de ferro e foram direto até a sala, onde estávamos. Pareciam ser bem inexperientes e estavam nervosos. Um mostrou o rosto. O outro, não. Eles tinham uma arma e mandaram que deitássemos no chão. Levaram uns R$ 200 e uma máquina fotográfica. Na saída, disseram para que não chamássemos a polícia', contou o aposentado.
As vítimas, que mantém a casa há quase 50 anos, dizem que o episódio não tirou o prazer de frequentar Salinas. 'Gostamos daqui. Sempre passamos férias. Mas já vivemos muitas situações difíceis e sempre como reféns da insegurança', disse o aposentado, tentando enumerar as vezes que já teve a casa e até os carros da família arrombados. 'Já roubaram de tudo nessa casa. Desde lâmpadas a vasos sanitários. Já até quebraram a parede da cozinha para levar comida. Outra vez tentaram entortar as grades das janelas. A insegurança é muito grande'.
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