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Salinas é, ainda, a maior vitrine do turismo no Pará. Infelizmente, há doze anos vinha sendo tratada 'Di' mal a pior, por um prefeito que voltou as costas para a maior vocação da cidade, que é justamente o turismo. Freqüentamos o balneário desde muito jovem, há mais de 30 anos, portanto. Acompanhamos seu crescimento e expansão desordenada, que acabou virando explosão, inclusive da violência, com o registro de assaltos a mão armada até na praia do Atalaia.
Lembramos dos tempos em se dormia de rede nas varandas das casas, sem qualquer preocupação com ladrões. Não somos saudosistas. Mas, o que mais lamentamos, na verdade, é o descaso do Poder Público, em nível municipal e estadual, em não acompanhar o crescimento de Salinas com medidas preventivas e efetivas, nas áreas de saneamento, saúde e segurança, além da ausência total de ações estratégicas na área de turismo, visando oferecer oportunidades de negócios, emprego e renda à sua população, notadamente os mais jovens, sem perspectivas de vida numa cidade sem vida quando as férias e os feriados terminam e os turistas se vão.
A política do clientelismo só tem contribuído para a cultura do atraso, também em Salinas. Eis que surge uma nova esperança de mudança com a eleição e posse de conceituado médico-cirurgião, em quem o povo salinense depositou um voto de confiança de que possa realizar as intervenções 'cirúrgicas' de que a cidade tanto precisa.
Na década de 80, participamos ativamente da Associação dos Amigos de Salinas, que tinha como missão oferecer sugestões de medidas ao poder público e entidades representativas da sociedade, visando aos interesses coletivos (não difusos) e ao progresso de Salinas. Daquele grupo de jovens idealistas, faziam parte engenheiros, arquitetos, médicos, jornalistas, bancários, filósofos e outros sonhadores. Todos éramos movidos (além de uma ou outra dose etílica) pelo sadio propósito de colaborar com o futuro de nossa mais charmosa estância hidromineral, assim denominada, na época do governo/ditadura militar, para justificar a nomeação de 'prefeitos biônicos'.
Resgatamos das prateleiras do tempo algumas propostas dos amigos de Salinas, dentre as quais se destacam:
- construção de uma piscina de água mineral na Fonte do Caranã;
- implantação de uma 'moderna' frota de ônibus no estilo 'jardineira' para transporte da população e dos veranistas;
- implementação pela prefeitura, com financiamento do Basa, de uma usina de compostagem e processamento industrial do lixo, incluindo o recolhido das praias;
- padronização das barracas e dos quiosques, que seriam equipados com cestinhas aramizadas para recolhimento do lixo de consumo toc-toc, prevendo-se o engajamento nesse projeto de educação ambiental de grandes empresas, que teriam retorno garantido com a veiculação de sua publicidade em espaços nobres à vista de milhares de pessoas, diariamente.
Esses e outros projetos ficaram perdidos nos escaninhos e descaminhos da política pequena e míope dos fisiologistas paroquiais.
Os amigos de Salinas tivemos até um candidato a prefeito, o Dr. Juciland Gama Sena, também médico, que se comprometia a fazer uma completa 'assepsia' na prefeitura, caso fosse eleito. Infelizmente, o jovem e idealista Juciland perdeu a eleição com uma diferença de 30 votos para o candidato 'oficial', após renhida disputa, só definida com a 'recontagem' de uma urna suspeitíssima chegada altas horas da noite do distrito de Cuiarana, devidamente 'batizada'. Detalhe: na época, a urna era de lona (para não 'molhar') e a contagem dos votos era feita mano a mano...
Ferida de morte pelo vírus do desencanto, a Associação dos Amigos de Salinas praticamente se desfez. Somos um de seus teimosos sobreviventes e até sugerimos a troca de sua antiga sigla AAS (que lembra remédio) para Sobressalto - Associação dos Sobreviventes de Assaltos em Salinas.
Logo, dr. Wagner, o senhor teve mais sorte que seu colega Juciland. Foi eleito pela vontade soberana do povo de Salinas, que prevaleceu na contagem eletrônica dos votos. Sabemos que sua tarefa não será fácil. A cidade cresceu desordenadamente, as invasões e doenças proliferam, por falta de saneamento básico, o transporte público é precário e sujo, a violência também prospera e se alastra como erva daninha, espalhando a insegurança e o medo entre veranistas sobressaltados.
Salinas merece mais atenção e carinho. E também precisa de um prefeito que goste não só da cidade e seu povo, mas também de veranistas e turistas. Afinal, sem turismo, Salinas é uma cidade sem futuro e sem vida.
Francisco Sidou
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